
Como qualificar clientes no WhatsApp antes da consulta jurídica
Qualificar no WhatsApp, antes da consulta, é ver se o caso cabe no escritório. Área, fato essencial, prazo e conflito. Sem parecer no chat e sem preço para puxar a pessoa.
Como qualificar clientes no WhatsApp antes da consulta jurídica é verificar se aquele problema cabe no escritório, antes de ocupar a agenda.
Atualizado em 2026-10-27.
Chega "oi, vocês pegam esse tipo de caso?". Outro áudio. A reunião é marcada e, na hora, a área é outra, o prazo já venceu sem documento, ou a pessoa esperava uma resposta que o chat não deu. A consulta vira triagem. Os dois perdem o horário.
O mapa do canal está em como usar WhatsApp para atender clientes. O horário, depois que o caso cabe, está em marcar consulta com advogado. O que o automático pode perguntar, sem opinar, está no atendimento automático no WhatsApp. Este texto é o critério: o que se pergunta, e a decisão de avançar, pedir um dado ou dizer que o escritório não cuida daquilo.
O que se pergunta
Não é o caso inteiro. É o bastante para não marcar no escuro.
A área, numa frase da própria pessoa. "Fui demitido", "recebi uma notificação", "quero revisar um contrato". Se a área não é do escritório, a resposta sai cedo. Não se puxa reunião para descobrir isso na sala.
O fato essencial. O que aconteceu, quando, se já existe processo, notificação ou prazo com data. Sem opinião sobre chance, sem estratégia, sem "pode ficar tranquilo".
A urgência de verdade. Audiência, prazo, liberdade, medida para cumprir, data escrita. "Urgente" sozinho pode ser pressa. A data muda a ordem. Sem data, a pessoa é acolhida e entra na fila do dia, não na frente de quem tem prazo.
Se o escritório já atua para a outra parte, ou se o tema já está na carteira de um modo que impeça o novo caso. Essa checagem vem antes de aprofundar. Dizer cedo que não dá para cuidar é parte do trabalho. Não é grosseria.
Se a pessoa já tem advogado neste caso. O fio não avança como se o mandato estivesse livre quando não está.
O que não se pergunta nesta etapa: tese, prova inteira, dado sensível sem necessidade, senha, e o valor para "fechar hoje". O mínimo necessário está no art. 6º, III, da LGPD. O resto espera a consulta, se a consulta fizer sentido.
As respostas entram na ficha de atendimento. Print solto no chat não é ficha. Quem for ouvir o caso no horário lê a ficha, não recomeça do "oi".
Três saídas
Depois das respostas, não se dá nota à pessoa. Se escolhe um caminho.
Cabe, e há horário. A área é do escritório, não apareceu conflito, o fato mínimo está na mão. O próximo passo é marcar. Dia, duração, o que levar, e a frase de que a reunião não é decisão nem contrato. Esse ato é o texto de marcar consulta. A qualificação termina quando a agenda começa.
Ainda falta um dado. A área parece caber, mas não há data do fato, ou não se sabe se já há processo. Pede-se esse dado, um, e diz-se até quando o escritório olha de novo. Sem data de retorno, o "vamos ver" esfria quem teria fit e prende quem não tem.
Não cabe. Área diferente, conflito, ou assunto que o escritório não cuida. A resposta é curta, respeitosa, e encerra. Não promete resultado para segurar a pessoa. Não oferece desconto. Não transforma a negativa em anúncio de outro serviço. Se couber indicar um caminho interno do próprio escritório (outra área que ele de fato atende), diz. O que não se inventa é uma consulta para não "perder".
Urgência com data não espera o fim da sequência. Acolhe, registra a data e chama quem está no caso ou na cobertura do dia. O critério de quem assume está em handoff da IA para a equipe, quando o automático já tiver coletado o mínimo. Sem equipe, cai na fila de quem advoga, com o resumo. Não vira parecer no chat.
O que a consulta fica sendo
A qualificação não substitui a conversa. Ela evita que a conversa seja a primeira vez em que alguém pergunta a área.
Na consulta, quem advoga ouve o que não cabia no fio: mérito, risco, consequência, o que dá para fazer e o que não dá. O art. 9º do Código de Ética pede esse esclarecimento de modo claro. O chat, antes, só organizou o encaixe.
Honorário não é pergunta de qualificação para puxar a pessoa. O art. 3º, I, do Provimento nº 205/2021 veda referência a valor, forma de pagamento, gratuidade ou desconto como forma de captação. Se a pessoa pergunta o preço antes de ser ouvida, a resposta é que o valor se define na consulta e no contrato, não numa cifra no WhatsApp. Transparência não é tabela na primeira tela.
Quem chegou sem fit não ocupa a sala. Quem chegou com fit não repete, na reunião, o que a ficha já tem. As duas economias são o motivo da qualificação.
O volume, quando a mesma pergunta se repete o dia inteiro, pode virar fluxo. O fluxo coleta e classifica. Não opina. O mecanismo está no guia de atendimento automático. A rotina de quem ainda faz isso à mão, no dia do autônomo, está em rotina do advogado autônomo. O cano, se a mensagem sair do celular, está no guia da API. O critério deste texto não muda com a ferramenta.
Base legal
As fontes são o Código de Ética e Disciplina, arts. 7º, 9º, 35 e 36, da Resolução nº 02/2015, o Provimento nº 205/2021, arts. 2º, VIII, 3º, I, e 6º, e o Anexo Único, e a Lei nº 13.709/2018, art. 6º, III. Não há, nesses textos, um roteiro oficial de perguntas. Há o limite do que a triagem não pode virar.
É vedado oferecer serviço que capte clientela (art. 7º). Captação, no Provimento, é marketing ativo para obter clientes pela indução à contratação ou pelo estímulo do litígio, mesmo sem resultado (art. 2º, VIII). A pessoa que escreveu procurou o escritório. A resposta de encaixe não é anúncio. Promessa de resultado e caso concreto como oferta são vedados (art. 6º).
O art. 9º pede informação clara sobre risco e consequência. Esse ato é da consulta, com quem advoga. A qualificação não antecipa o risco em uma frase.
O Anexo admite chatbot para as primeiras informações do escritório e para coletar dado, sem tirar a decisão de quem advoga. Não admite aplicativo que responda consulta jurídica de modo automático a quem não é cliente. Perguntar a área cabe. Dizer que a pessoa tem direito não cabe.
O sigilo (arts. 35 e 36) começa quando o fato chega ao exercício. A ficha não vai para grupo nem para outro contato "parecido". O dado fica no mínimo da finalidade (LGPD, art. 6º, III).
Erros comuns
Marcar no primeiro "oi". A área ainda não foi dita. A agenda enche de assunto que o escritório não cuida.
Dar parecer para não perder a pessoa. A qualificação segura o próximo passo. O mérito sem leitura compromete.
Perguntar demais. Área, fato, prazo e se já há processo bastam. Interrogatório esfria quem teria fit e coleta dado além do necessário.
Usar preço, desconto ou "consulta grátis" para fechar. É a conduta do art. 3º, I, quando serve para captar.
Ignorar conflito porque a reunião já estava marcada. A checagem é antes de aprofundar.
Deixar a resposta só no chat. Sem ficha, a consulta recomeça do zero.
Tratar "urgente" sem data como furo de fila. A data é que muda a ordem. A pressa sem fato entra no dia.
Perguntas frequentes
Qualificar no WhatsApp é filtrar cliente por dinheiro?
Não. É ver se a área cabe, se há fato e prazo bastantes para uma consulta, e se o escritório pode atuar. Renda da pessoa não é pergunta desta etapa. Preço como isca também não é.
Posso dizer o valor dos honorários na triagem?
Não como forma de captar. O art. 3º, I, do Provimento nº 205/2021 veda valor, pagamento, gratuidade ou desconto com esse fim. Se a pessoa pergunta antes de ser ouvida, o valor espera a consulta e o contrato. Não sai uma cifra no chat para fechar o horário.
Quantas perguntas vêm antes da consulta?
Área, o que aconteceu e quando, se há prazo ou audiência, se já existe processo, se já há advogado no caso, e a checagem de conflito. Mais do que isso vira a própria consulta, no lugar errado.
Posso opinar se o caso é bom?
Não nesta etapa. Opinião sobre mérito, chance e estratégia é da consulta, no sentido do art. 9º do Código de Ética. O Anexo do Provimento não admite essa resposta automática a quem não é cliente. Também não cabe na pressa de quem ainda não leu.
E se a área não for do escritório?
Diz cedo, com respeito, e encerra. Não marca consulta para descobrir na sala. Não promete resultado para a pessoa não ir embora. Não transforma a negativa em oferta de outro serviço.
Urgência fura a qualificação?
Fura a espera, não o critério. Se há data de audiência, prazo, liberdade ou ordem para cumprir, alguém nomeado assume no dia. Sem parecer automático. Sem pedir a história inteira antes de registrar a data.
A ficha substitui a consulta?
Não. A ficha guarda o que foi perguntado para decidir se a consulta cabe. A consulta é quem ouve o mérito e esclarece o risco. Sem a ficha, as duas coisas acontecem no mesmo horário e nenhuma fica bem feita.
No fim
Qualificar no WhatsApp antes da consulta é ver se o caso cabe: área, fato, prazo, conflito. Se cabe, marca. Se falta um dado, pede e dá data de retorno. Se não cabe, encerra sem isca e sem parecer.
Quando o encaixe está claro, o horário e o caso continuam no mesmo lugar. O PrazorJus faz o escritório por inteiro, no mesmo lugar do caso. Monitora prazos e intimações. Atende no WhatsApp 24 horas, agenda a reunião e faz o pós-venda de quem já é cliente, também fora do horário em que o escritório está aberto. A IA responde "como está meu processo?" com o que está na ficha e envia a atualização a cada 15 dias. Quem decide se o caso cabe, e quem ouve na consulta, continua sendo o advogado.
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