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Como precificar honorários advocatícios
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Como precificar honorários advocatícios

Aprenda um método ético para precificar honorários: use a tabela da sua seccional da OAB como piso, majore por complexidade, tempo e risco, escolha a modalidade certa e evite aviltamento. Sem fórmula mágica nem preço nacional fixo.

Por PrazorJusIntenção de leitura: informacional

O cliente pergunta o valor. Você hesita. Cobra “no feeling”, copia o colega ou baixa o preço com medo de perder o caso. No fim do mês, o honorário não cobre a estrutura. Ou fica abaixo do que a sua seccional trata como referência mínima. A insegurança não é falta de talento. É falta de método.

Como precificar honorários advocatícios não é cravar um número nacional nem montar uma lista “quanto cobrar por ação”. É um caminho ético e operacional: partir do piso da tabela da sua seccional, majorar pelos fatores legítimos do caso, escolher a modalidade adequada e deixar o escopo claro. Este guia ensina esse método. Sem fórmula mágica. Sem incentivo a concorrer pelo menor preço.

Precificar não é chutar um número

Precificação séria separa três coisas que o dia a dia mistura: o que custa manter o escritório, o que a OAB delimita como referência mínima e o que aquele caso específico justifica cobrar.

Custo do escritório informa o preço, mas não o define sozinho

Sem noção de custo, qualquer proposta vira aposta. Anuidade, contador, espaço, tributos e ferramentas não definem sozinhos o honorário, mas mostram o piso de sustentabilidade do seu modelo. O mapa dessas linhas está em quanto custa manter um escritório de advocacia pequeno. Aqui não vamos repetir a conta de despesa. O ponto é outro: conhecer o custo evita combinar um valor que não sustenta a operação; precificar exige ainda a tabela ética e os fatores do caso.

O cliente pergunta o valor; a OAB delimita o piso

Na conversa com o cliente, o número precisa fazer sentido para o escopo. Na ética profissional, o número também precisa respeitar o piso da seccional. São camadas diferentes. Uma fala de adequação ao trabalho. A outra fala de dignidade da advocacia e de limites à concorrência predatória por preço.

A tabela da seccional como base ética

Cada seccional da OAB publica sua tabela de honorários, em regra atualizada anualmente (com frequência no início do ano, com reajuste por inflação). Essa tabela é a base correta do método, com um cuidado: ela não é preço único do Brasil.

Piso e referência mínima, não preço fixo nacional

Os valores da tabela funcionam como piso e referência mínima daquela seccional, não como preço fixo obrigatório para todo serviço nem como teto. Também não dá para tratar o número de um estado como verdade nacional: cada seccional tem a sua tabela, e os valores mudam com o tempo.

Por isso este artigo não lista “quanto cobrar” por tipo de ação com valores cravados. Qualquer lista dessas envelhece rápido e ignora a seccional do leitor. O método começa sempre na tabela da sua inscrição.

Cobrar acima é livre; cobrir abaixo pode ser aviltamento

O advogado pode cobrar acima da tabela conforme a complexidade, o tempo, o risco profissional, a experiência, a urgência e o resultado econômico em jogo. Majorar com critério é prática legítima.

Já cobrar abaixo do mínimo da tabela pode configurar aviltamento de honorários. Na disciplina da advocacia, isso se relaciona à infração prevista no art. 34, V, da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia) e ao Código de Ética e Disciplina da OAB, por caracterizar, entre outros efeitos, captação de clientela por preço aviltante e concorrência desleal. Em linguagem direta: baixar demais o preço para “ganhar o cliente” não é estratégia inteligente. É risco ético e enfraquece a profissão.

Consulte a tabela da sua seccional e o Código de Ética

Antes de fechar proposta, abra a tabela vigente da sua seccional e releia os trechos do Código de Ética sobre honorários. Confirme o piso aplicável ao tipo de serviço, anote a referência e só então discuta majoração. Tabela e ética não são burocracia opcional. São o chão do preço digno.

Fatores legítimos para majorar o valor

Com o piso na mão, a pergunta deixa de ser “como cobrar mais barato que o colega?” e passa a ser “o que neste caso justifica ficar no piso ou subir?”.

Complexidade, tempo e urgência

Caso simples, documentação organizada e prazo confortável tendem a ficar mais perto da referência mínima. Caso complexo, muitas peças, várias frentes ou prazo apertado pedem majoração. Tempo real de trabalho (estudo, audiência, deslocamento, idas e vindas com o cliente) também entra na conta: honorário que ignora horas vira autoexploração.

Urgência legítima (medida liminar, prazo curto, risco imediato) é fator clássico de majoração. Urgência fabricada na conversa comercial, não. O critério é o caso, não o medo de perder o contato.

Risco profissional, especialização e êxito econômico

Há casos em que o risco profissional sobe: matéria sensível, exposição, prova difícil, probabilidade relevante de conflito adicional. Especialização também pesa: anos de atuação em uma área sustentam valor acima do piso genérico.

O êxito econômico em jogo (proveito patrimonial buscado ou defendido) é outro fator legítimo. Não é promessa de resultado. É reconhecimento de que a responsabilidade e o benefício econômico potencial alteram a justa remuneração. Combine isso com clareza de escopo: o cliente precisa entender o que está incluso e o que não está.

Modalidades de honorários e quando cada uma faz sentido

O valor certo também depende da forma. A mesma referência mínima pode se expressar em modalidades diferentes. Escolher a modalidade errada gera atrito depois, mesmo com o número “certo”.

Fixos

Honorários fixos combinam bem quando o escopo é delimitável: um serviço com entregas previsíveis, etapas claras e pouca chance de explosão de trabalho. O cliente enxerga previsibilidade. Você enxerga o pacote.

O cuidado é descrever o pacote. Sem escopo escrito, “fixo” vira discussão eterna sobre o que estava incluso.

Por hora

A cobrança por hora faz sentido quando o volume de trabalho é incerto ou consultivo aberto: pareceres, acompanhamento contínuo com demanda variável, suporte pontual sem pacote fechado. Exige disciplina de registro de tempo e transparência com o cliente sobre a faixa esperada.

Sem registro, a hora vira conflito. Com registro claro, vira alinhamento.

Êxito e contrato de risco

Honorários de êxito (percentual sobre o resultado) e contratos de risco cabem quando há proveito econômico mensurável e o escritório aceita compartilhar parte do risco do desfecho. Não substituem, por si só, a análise ética do piso e do caso. Também não autorizam prometer resultado.

Deixe explícito a base de cálculo, o momento da apuração e o que acontece em acordo, extinção ou parcial procedência. Ambiguidade aqui vira litígio com o próprio cliente.

Consultivo ou mensal (retainer)

O modelo consultivo ou mensal (retainer) serve à demanda recorrente: empresa ou pessoa que precisa de orientação contínua, revisão de contratos, plantão jurídico enxuto. O valor mensal cobre disponibilidade e um pacote de horas ou de serviços. O que exceder o pacote precisa de regra clara de cobrança adicional.

Para escritório pequeno, retainer bom é retainer com limite. Sem limite, o mensal vira sobrecarga disfarçada de previsibilidade.

Um método simples para fechar a proposta

Com piso, fatores e modalidade na mesa, o fechamento fica mais calmo. Não é planilha mágica. É sequência.

Partir do piso da seccional

  1. Identifique na tabela da sua seccional a referência mínima mais próxima do serviço.
  2. Confirme se há observações específicas na tabela para aquele tipo de atuação.
  3. Anote o piso como chão ético da conversa. Abaixo dele, não desça.

Somar os fatores do caso

Em seguida, avalie complexidade, tempo, urgência, risco, especialização e êxito econômico. Pergunte, com honestidade: este caso é “piso” ou “acima do piso”? Se for acima, justifique em linguagem simples para você mesmo antes de justificar para o cliente. Majoração sem critério vira insegurança. Majoração com critério vira proposta sustentada.

Lembre o custo do escritório como freio de realidade: se o valor mal cobre a estrutura mínima da sua operação, a proposta está errada mesmo que “pareça competitiva”. Competir por preço abaixo do sustentável e do ético não é estratégia. É desgaste.

Escolher a modalidade e deixar o escopo claro

Feche a modalidade (fixo, hora, êxito/risco, retainer) e descreva o escopo: o que está incluso, o que fica de fora, como entram despesas e o que acontece se o caso mudar de tamanho. Escopo claro reduz renegociação amarga. Escopo vago transforma bom preço em briga.

Se quiser conversar sobre como organizar a operação do escritório depois que o valor já está pensado com critério, fale com a gente no WhatsApp.

Depois de precificar: formalizar e cobrar

Precificar define o valor. Formalizar e cobrar transformam o acordo em operação. São etapas seguintes, não o mesmo artigo.

Depois de alinhar o honorário, registre o combinado, vincule ao cliente e ao caso, formalize o contrato e organize a cobrança. O fluxo de cobrar com mais previsibilidade (incluindo automação de cobrança) está em como cobrar honorários advocatícios de forma automatizada.

Um sistema jurídico como o PrazorJus não escolhe o preço por você. Depois que você precifica, ele ajuda a registrar e organizar os honorários acordados, ligar ao cliente, ao processo e ao contrato, e seguir para a cobrança. O julgamento do valor continua sendo profissional e ético. A ferramenta sustenta a execução.

Precificar com dignidade, não com o menor preço

A tentação do menor preço aparece quando o caixa aperta ou quando o lead hesita. É exatamente aí que o método importa. Tabela da seccional como piso. Fatores do caso para majorar. Modalidade adequada. Escopo escrito. Custo do escritório como alerta de sustentabilidade.

Como precificar honorários advocatícios com seriedade é proteger a própria remuneração e a dignidade da advocacia. Não é “fechar a qualquer número”. Não é copiar tabela de outro estado. Não é prometer resultado para justificar percentual. É cobrar com critério, acima do piso quando o caso pede, e nunca tratar o aviltamento como tática de captação.

A estrutura societária do escritório (sócio ou autônomo) também muda a conta e a organização, e terá espaço próprio neste tema em breve. Neste texto, o foco permanece no preço do serviço: método ético, claro e utilizável na próxima proposta.

Precificar com dignidade começa pelo piso da sua seccional e termina num acordo claro com o cliente. Se quiser conversar sobre como organizar honorários acordados e a rotina do escritório sem acumular ferramentas, fale com a gente no WhatsApp.

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